segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez.

In Caio F.


Repito sempre:

sossega, sossega - o amor não é para o teu bico."

· Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"
Caio F.

sábado, 13 de setembro de 2008

"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”

In Caio F.

[dedico a tí]
"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.

"Caio Fernando de Abreu

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

...
"Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho. Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. é por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor."


Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 21 de agosto de 2008


"Não é que fôssemos amigos de longa data. (...) Chegamos a um ponto de amizade que não podíamos mais guardar um pensamento: um telefonava logo ao outro, marcando encontro imediato. Depois da conversa, sentíamo-nos tão contentes como se nos tivéssemos presenteado a nós mesmos. Esse estado de comunicação contínua chegou a tal exaltação que, no dia em que nada tínhamos a nos confiar, procurávamos com alguma aflição um assunto.(...)
Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós.(...) De início, quando começou a faltar assunto, tentamos comentar as pessoas. Mas bem sabíamos que já estávamos adulterando o núcleo da amizade. (...)
Minha solidão, na volta de tais encontros, era grande e árida. Cheguei a ler livros apenas para poder falar deles. Mas uma amizade sincera queria a sinceridade mais pura. À procura desta, começava a me sentir vazio. Nossos encontros eram cada vez mais decepcionantes. Minha sincera pobreza revelava-se aos poucos. Também ele, eu sabia, chegara ao impasse de si mesmo.
(...)
Todos os problemas já tinham sido tocados, todas as possibilidades estudadas. Tínhamos apenas essa coisa que havíamos procurado sedentos até então e enfim encontrado: uma amizade sincera. Único modo, sabíamos, e com que amargor sabíamos, de sair da solidão que um espírito tem no corpo.(...)
Afinal o que queríamos? Nada. Estávamos fatigados, desiludidos.
(...) Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso. Mais que isso: que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros."

Uma amizade sincera - Clarice Lispector

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008


Comprado**

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Andar...é reconhecer....olhar...
Eu preciso andar..um caminho só....



sexta-feira, 20 de junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008


"Somos feitos da matéria dos sonhos."



Shakespeare, in "A Tempestade" Ato IV - Cena I

quarta-feira, 14 de maio de 2008


seu mar.:::


Ela estava decidida. Não mais esperaria por ele, já não havia mais o que esperar e lá pelas 15:00 da tarde, sim, as 15:00h, porque assim não havia de esquecer. Ás quinze o conhecera a as quinze o esquecera.

Como em um ritual para o casamento, exatamente como havia sonhado durante os cinco anos de noivado, ela levantou-se, colocou os chinelos, que continuavam no mesmo local: embaixo da cama e bem próximo a escrivaninha, de onde todos os anos escrevera seus planos.

Sim, já conhecia o vestido, os sapatos, até a presilha dourada que fora presente da avó, todos ali para as 15:00h.

Levantou-se e avistou o mar. Dessa vez ele não sorria como de costume. Lá estava a neblina fina que a impedia de avistar como os mesmos olhos de sempre o seu mar. Não que não o visse, mas não era o mesmo. De fato não era. Parecia Saber!

Não! Não tomou banho. Ás lágrimas que durante todos os anos haviam caído, já lhe lavára a alma naquela manhã.
Tomou café, lavou as mãos. As mãos havia de lavar, afinal de contas, o anel haveria de estar em mãos bem limpas. Percorreu a areia e foi encontrá-lo. Não enxergava direito, a neblina forte não deixava...
Decididamente foi encontrá-lo. Repetia-se o mesmo caminho durante todos os anos, todos os minutos, segundos. Sua mente, suas lembranças a levavam a ele.
Ás 15:00h. Outra hora não seria.
Cinco anos de noivado. Tudo era vivo em sua memória. Como era vivo seu sorriso!
Porém, ela não mais sorria. Pedeu-se a validade.
O último foi ao acenar ao mar e não sabia que seria o último.
Ela sorriu. Sim, um sorriso de doer o rosto, um sorriso de adeus, um sorriso manso, discreto...mas que doeu o rosto. Talvez a alma sinta os últimos momentos da vida de alguém.
Não mais o esperaria. Não havia o que esperar. Não havia mais o que suportar.
Desde o primeiro Porto ela o amára.
Em frente a Ele.
Em frente ao mar.
Assim o fez.
Sabe-se que 85 não suportavam mais a infinita espera.

alice Saraiva

quarta-feira, 30 de abril de 2008





[Sim, após reclamação o lipe está aqui. definitivamente o meu melhor sorriso, meu menino-dos-olhos-doces, minha alegria, minha risada..]



:: recíproco
tenho para mim que na vida tudo só funciona quando existe reciprocidade.


i.e., uma pessoa não é bem disposta e alegre só por si.


nem carinhosa, nem doce, nem interessante, nem -exemplo máximo- conversadora sozinha.


só o é, porque tem ao lado alguém que tambem o é. que retribui o riso, o gesto, a sabedoria.


já dizia o poeta: ' o brilho do meu olhar é apenas o reflexo do teu'. ..


t amoooooooooooo lipe!!!!


meu marido "quase" ideal...rsrrsrrsrrsrrs


_quero sua risada mais gostosa....esse teu jeito de achar...que a vida tem que ser maravilhosa -